sábado, 16 de janeiro de 2010

Gotas de emoção em chuva de nostalgia

Hoje chorei ao ouvir Drummond. Nunca tinha mexido tanto comigo. E foi assim de repente... "não mais que de repente" [Vinícius de Moraes] ao zapear entre a patética programação de sábado a tarde, que fui enlaçado pelo próprio Carlos Drummond de Andrade narrando essa poesia prostituta e ladra, que me deixou nú por completo e depois fez o que bem queria de mim.

Consolo na Praia
Carlos Drummond de Andrade
Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Meras convenções

Contagem regressiva. 5, 4, 3, 2, 1. e... nada. Apenas mais uma madrugada. Apenas algumas cores pipocando num céu nublado. Apenas números e roupas brancas e mais supertições. Um post de fim de ano [ou começo, whatever] deveria ser um estandarte de paz, amor e esperança? Não culpo os que assim o fazem. Eu é que estou num tom de funeral. Morre um ente querido dentro de mim. Que nuances me esperam nessa nova jornada?
Esse final de ano foi particularmente nostálgico e triste. Todos estavam empregnados de opaco. Pela primeira vez eu chorei no natal. O que pra mim sempre foi tão atraente e feliz, dessa vez foi varrido por tempestade de lágrimas e gotas de chuva. O Natal não foi um tempo de lembrar de coisas boas e de família, mas sim do seu fracasso e da falta de bondade e compreensão. A verdade dói, meus caros, mas cicatriza, ensina e liberta. "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará."
E nesse ano redondo, nesse 10 andei assistindo algumas coisas que me chocaram, me libertaram, me ensinaram e me fizeram rir.Pela primeira vez tive paciência necessária para assistir Star Wars. Não é tão chato assim. É claro que todos aqueles 'defeitos' especiais me fizeram chorar de rir e ao mesmo tempo me fizeram refletir em como o mundo muda e como tudo é tão transitório. 'Divã' : um filme magnífico. Atuação brilhante da consagrada Lílian Cabral. Me fez rir e chorar. Mexeu profundo no âmago das emoções. Tocou lá na nascente das lágrimas , alegres ou tristes. Todo o brasileiro deveria ser obrigado a ver esse filme. Ou melhor, todo o ser deveria vê-lo. Grandes reflexões em apenas 1:30hr. E enfim, as tragédias em Angra dos Reis. E novamente a transitoriedade da vida. O que fazer com ela?
Agora minha mãe grita, meu pai resmunga, meu irmão indeferente e eu triste. Uma tristeza alegre. Aquele chocolate meio-amargo. E que a força esteja com vocês.