segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

São Paulo


As mucosas secas, a boca seca. Três garrafas de água em poucas horas. Sinto falta da umidade carioca. A planície, o Vale do Anhangabaú. Os morros e a praia não fazem assim tanta saudade. A vista plana é uma das belezas dessa cidade. Olho para o horizonte e vejo as montanhas de concreto e espelho. A beleza das vidraças e de seu trânsito frenético.
As tropas apostas invadem o vagão do metrô. Algumas leis da física ignoradas e umas pisadas no pé, já estou no meu destino. A capital paulista e suas funcionalidades. Organização e otimização. Menos lixo e, inegavelmente, menos cigarro. A fumaça aqui é outra.
Os rostos redondos e as cabeças chatas. Os olhos puxados e o português quase ininteligível. Os modelóides antenados e, por vezes, pop-cults. Envolvidos em seus cachecóis e óculos tamanho extra-grande, esses seres vagam pela cidade com seu bafo blasé e olhos atraentes e sedutores. Não fazem falta as havaianas e camisetas.
Entre o asfalto e o shopping, a pastelaria e a marginal, circulo no ar seco do inverno dessa cidade. Mais uma garrafa de água. O Tietê e o Pinheiros só revelam seu potencial hídrico em tragédias. Nada não acontece. A sensação é a de estar no acontecimento. O fim está em si mesmo.
Agora, de madrugada, a algumas horas do Rio, a atmosfera já permite ao meu nariz escorrer. O último gole de água, o dia nasceu, o Cristo voltou.

1 comentarios:

T. disse...

pois saia desse mundo tão paulista, de trabalho e trânsito, e volte pra poesia, que é teu Rio.