quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Manifesto Patriótico



Minha terra tem palmeiras,
 Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Gonçalves Dias. Canção do Exílio

Exaltar o verde-louro latino. A conquista de heróis. As medalhas do passado.. Isso é falar de pátria?
O país que não para de crescer. O ufanismo nacionalista. A defesa das nossas terras. Isso é ser patriota?
Afinal, que heróis? Temos por acaso heróis nessa pátria? Os Pedros príncipes? Não. Os marechais e generais que a mão de ferro subjugaram o país? Não
E que medalhas do passado? A fome e a pobreza histórica? O preconceito racial? A sucessão de injustiças a que os cidadãos passam?
E enfim, que terras? Será o Brasil a nossa terra? Essa terra que, em mãos de poucos, perde seu valor social e serve apenas ao Rei Lucro? Essa terra que é tomada de nossa gente por grande latifundiários?
Que Brasil?
Que pátria?
Não viemos aqui homenagear essa pátria.
Não viemos condecorá-la com Honrarias de araque.
Falaremos de outra pátria.
A pátria do samba.
A pátria dos morros.
A pátria do sertanejo.
O Brasil amazônico.
O Brasil de bombachas.
Pra nós essa é a pátria que merece homenagens. É o nosso Brasil, que mesmo com inúmeros problemas e adversidades é o lugar feito especialmente pra nós.
É o lugar onde podemos chamar de lar. É onde nos sentimos acolhidos pelos sorrisos abertos e pelo abraço apertado.
Não queremos exaltar o Brasil pela sua grandeza continental ou expressão econômica.
Mas sim pela grandeza de seu povo. Pela determinação da nossa gente. Pela vibração nos estádios de futebol. Pela felicidade em época de carnaval. E fora dela. Pela alegria em nossas praias, nas nossas cidades, em nossas favelas.
Não ao Brasil-Estado. Não ao Brasil de Vargas, dos generais, ou ao país de Lula. Mas sim exaltamos aos verdadeiros filhos desse país. Filhos que tem sim uma mãe gentil, mas que muitas vezes maltratada por bastardos.
Não ao Brasil-empresa, que mantém seu PIB crescendo em detrimento de milhares de famintos. Mas sim ao grande e diverso prato de comida que é o nosso país. Ao colorido dos pássaros. Ao colorido da criança. Ao colorido das festas de frevo.
Não ao Brasil-cartão-postal do Cristo Redentor e das praias nordestinas. Mas sim ao país que alcança sua redenção nos corações pulsantes do seu povo.
E enfim, não ao Brasil-“pacífico e ordeiro”. Não ao povo que se cala. Mas sim a multidão que vai pra rua. Que protesta no twitter. Que está cansada dos monstros profanos da política brasileira.
Para além de um discurso clichê, falar sobre nossa pátria é saudar nossos compatriotas.
Porque o país com que sonhamos é aquele que construímos.
Salve o futuro do Brasil, que hoje leva suas novas asas para casa.
Salve um Brasil além das palmeiras e dos sabiás. Além das aves que gorjeiam.
Porque hoje não gorjeiam apenas aves. Hoje quem grita somos nós.
Hoje não voam apenas sabiás. Mas sonhos de uma juventude com fome de atitudes.
Hoje não apenas palmeiras enfeitam nossa paisagem. Um multicolorido extravasa pelas fronteiras do país.
Essa antropofagia tupiniquim.
Esse lugar definido pela indefinição.
Esse lugar que é um não-lugar
Lugar de todas as culturas que ao mesmo tempo forja sua própria peculiaridade.
E são essas particularidades que fazem daqui o nosso lugar.


Discurso em Homenagem à Pátria da minha colação de grau no Pedro II =) . O texto leva a autoria de Julia Nevares, Tainá Lopes e a minha né... João Victor Barbosa

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mamãe grampeou o MSN

Conversar, escrever besteiras, usar esse aplicativo magnífico da Microsoft pra me comunicar nunca mais será igual. Por que? Mamãe grampeou meu msn.
Deixe-me apresentar. Sou João. Tenho 17 anos. Um adolescente normal. Numa escola normal. Numa vida normal. Com uma mãe anormal. Eu até entendo o desespero, mas não será jamais essa uma atitude justificada. Não fumo crack. Não uso heroína. "Eu podia tá matando, eu podia tá robando". Mas não. Apenas converso com gente que não conheço pessoalmente. Quem nunca fez isso? E o que tem de errado? Não sou um corderinho de 13 anos. Poderia eu ser uma vítima de pedofilia? [podemos chamar de pedofilia sexo aos 17 com alguém mais velho? err... Deixa essa questão pra lá. Deleta da sua vida.] Acho que é mais fácil eu aliciar outras pessoas do que me seduzirem. [/Ironia]

Placa Mãe. [não foi bem essa 'mãe' que grampeou o messenger. rs]

Que perturbador isso. As mães sempre acham que seus filhos estão sendo influenciados quando as crias escolhem caminhos diferentes daqueles vislumbrados por elas. Não se sintam velhas e obsoletas! É que cada tempo tem suas intempéries. E cada um tem o "plano perfeito" pra sua vida. Pessoas não são iguais. Não tenho rótulo. Não sou fabricado em escala. Isso me fez sentir violentado. Preciso de conselhos, não mais de caminhos. Agora preciso traçar meu storyboard com minhas próprias mãos. Sim. Mãos trêmulas, suadas, desajeitadas e inexperientes. Mas se eu não o fizer, será apenas uma história escrita em mim por outras mãos.
A questão do messenger acabou por evidenciar duas coisas: mamãe está desesperada [e eu recomendo um psicólogo]; não tenho nenhuma privacidade em casa. Enfim, depois nos perguntam: "porque não para em casa e nunca está satisfeito com a família?". Resposta pessoal: Cansei de Ar rarefeito.

PS: E quanto ao msn? FATO que agora eu uso o messenger online né, fofinhos! ;)

sábado, 21 de novembro de 2009

Escapou de branco é preto

Ontem, 20 de novembro. Dia da consciência negra. Dia do mestre Zumbi. Dia da maioria que é tratada como minoria. Incrivelmente não é feriado nacional. Acho que no Brasil tem feriado demais, mas se tem pra tudo quanto é coisa porque logo nesse superimportante não vai ter?
Aqui nesse post poderiamos levantar várias questões alusivas a data. E quanto a cota pras universidades? É justo que uma parcela da população que se autoidentifica como negra receber vantagens ou como os defensores da medida dizem "compensações"?
Bem, polêmicas a parte. Vamos ao que interessa.
Difícil mesmo é hoje colocar essa coisa de raça negra pela guela dos branquelos, não?! Certo. Existe apenas uma raça: a humana. Mas levemos em conta que a identidade do que chamamos "negro" deve ser mesmo tratada a parte e com um olhar diferente. Não de um preconceito mas sim de um pós-conceito. É preciso entender a arte negra. A resistência do samba, do jongo. A impetuosidade da capoeira. Os versos marcados de Solano Trindade. É preciso entender que a alma do brasileiro é negra. Que o nosso sangue é negro e principalmente que o nosso coração é preto. Preto de melanina. Preto de paixão. Preto de suor e gingado. Na escala de cor nenhum brasileiro é branco. E...

"Escapou de branco é preto." cantora Alcione, em entrevista ao CQC.


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Bunda Larga

Reflexão do meu desespero diário frente ao PC.
Pra você que não tem banda larga,
Pra você que fica horas baixando aquele vídeo do Michael Jackson,
Pra você que pra usar o YouTube tem que ir na casa do vizinho,
Pra você que não desiste...
... Eu dedico este vídeo

sábado, 31 de outubro de 2009

Hora de amanhecer



As Horas - Salvador Dali

Chega outubro, novembro, e o mesmo se repete. Andiantar os relógios uma hora. Sinal de que a estação do sol está chegando. The sun, the beaches... As 6 da tarde o sol ainda a pino invade os quartos, quebra as cortinas, deita nos rostos.
O horário de verão me incomoda. De uma forma peculiar, mas incomoda. Parece que ao adiantarmos os ponteiros trazemos com esse gesto algo de sobrenatural, um pó mágico, um agitar de varinhas de condão. Um novo cheiro toma conta do ambiente. Cheiro de terra molhada. Cheiro de calor. Um novo clima de luz , de clarividência. Faz as velhinhas conversarem até tarde nas pracinhas. Faz a gente esquecer que existe a noite. A penumbra perde o tesão.
Minha vida escura enfim começa a ser iluminada e começa a irradiar suas cores ainda tímidas nas palavras. O olhar simulado encontrando enfim alguma verdade. Os vestidos soltos e floridos das meninas a desabrochar em botões de margaridas.
Algo que escrevi no início das minhas frustadas tentativas poéticas. Só agora conseguindo entender a beleza e validade desse frasco de perfume:

Luz
Entra pela janela
Escorre pelos teus olhos

Num estalo
Rasgo as cores em flores
E entro no seu halo

Flutuar com os pássaros
Dançar com os anjos
Vivendo e deixando que traga os sonhos

João Victor



domingo, 25 de outubro de 2009

Você tem fome de que?

Voltar a escrever. Voltar a postar. Sempre um dolorido prazer. Escritor masoquista? Não. Apenas escritor. As palavras já estavam presas a quase um mês e estavam implorando pra sair.
Como viram, mudei o visual. Mudei o foco. Quero as coisas mais claras, mais leves.
Entretanto, a estrutura e alicerce do blog permanecem: eu.
Este João aqui mesmo que vos escreve e sua desorganização.
Ontem passando pelo blog do cp2 acabei me deparando com um texto que me fez pensar como escrever pra mim é uma necessidade. Pra mim as palavras são comida. E eu estou faminto. Começo a partir de agora a saciar minha fome. E ainda como dizia o poetinha que "seja eterna enquanto dure".


E vo? tem fome de que?




terça-feira, 15 de setembro de 2009

Beatles Rock Band



Enfim o game mais esperado pelos fãs de Ringo Starr, Paul MacCartney, John Lennon e George Harisson foi lançado no último dia 9. O game estilo "Guittar Hero" só que com músicas dos Beatles. Simplesmente perfeito pra mim. União de duas coisas que eu adoro. Confere aí em cima um vídeo trailler com a performance do Sr. MacCartney.

E agora José?


Lula, Sarney e Collor: quem diria não?!


Abomino os jargões, os tweets incansáveis, os protestos indigestos. Sarney, dinossauro político, representante das "oligarquias" nordestinas, e porque não como nosso compatriota Brizolla diria, "Filhote da Ditadura". Nosso velho conhecido que tem figurado as manchetes da internet.
Não pretendo aqui defender o velho Ney (aliás, isso seria possível?! fica pra outro post... ¬¬) ou massacrá-lo. Deixo isso a cargo dos incansáveis protestos "virtuais", das passeatas nas cidades e é claro dos petistas ou "Lulistas" e outros loucos mais que querem sua permanência. Escrevo não em sua homenagem, mas vislumbrado pelo poder desse incrível meio de comunicação que é a internet.
Para leitores de jornais impressos e televisivos que não usam o Twitter e não fuçam a rede com certeza a um mês atrás seria uma grande surpresa falarmos em Movimento Fora Sarney. Simplesmente quase nada foi, incialmente, veiculado por eles. Os tradicionais meios de comunicação de massa simplesmente olharam meio que an passant pelo tal #ForaSarney. Mas agora estão tendo que se render, ainda que suas manchetes estajam intactas e blindadas.

Manifestação em Brasília no 7 de setembro

Então pensaríamos o seguinte: "Ora, sem apoio da mídia, nada acontece, certo?"
Errado.
Esquecemos do grande poder a que cada vez mais brasileiros estão tendo acesso, o poder da conexão em rede, nossa querida internet. De um dia pro outro, o Twitter se popularizou rapidamente. A arma de 140 caracteres nunca foi tão usada por um próposito em comum neste país de pizzaria. As fotos e vídeos dos protestos eram twittados por grandes personalidades (destaque para Marcelo Tás do CQC http://twitter.com/marcelotas).
Ainda enveredando pelos becos da rede achei uma pérola que representa bem essa influência da internet nos movimentos sociais (no caso, o Fora Sarney mesmo =)


Uma prova de geografia. Uma pergunta idiota. Uma respota inteligente. (pior é que o professor deu a questão como errada. Gente desatualizada. rsrs) Se não der pra ler, aqui tem a transcrição da questão e da resposta do aluno

"7. Em sua opinião, por que atualmente o povo Brasileiro, Não protesta contra casos de corrupção no governo, como protestava antigamente. Resposta Pessoal. (1,0)
@professordegeografia – Você é que não usa o twitter. #forasarney

Convocação para o Fora Sarney aqui no Rio


Passeata Fora Sarney em São Paulo


A internet enfim mostrava suas garras. O povo pegava em armas virtuais. Colocava fogo nos quarteis do poder sentado nos seus próprios sofás ou digitando numa Lan House. De certo não adiantaria apenas teclar. Entretanto mais do que protesto, isso foi um alarme dos novos tempos. O poder da informação ao alcance de todos? Não sei. Só sei que agora José's tem com o que se preocupar porque os Zé's aqui agora não são meros espectadores mais. Nós fazemos notícia e construímos a crítica.

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu, [...] Carlos Drummond de Andrade.


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Afonso chorou

Complicação?
Questionamentos?
Complexidades?

Minhas mãos suadas entre as suas
Minhas lágrimas no seu rosto
Seu soriso no meu
Simples assim.







ps: Te amo

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Parabéns, amiga!

Texto pra minha melhor amiga. Aniversário de 18 anos! *-*

Toca o telefone. Quem será? Ah, é a Jéssica. Agora já era. Seriam horas e horas falando. Será que poderia medir todas as horas passadas com você no telefone? Eu não consigo mas com certeza a Oi conseguiu e nossas contas telefônicas sempre vinham com pulsos a mais. Fazer o que né!
Desde os primeiros passos. As primeiras palavras rabiscadas no papel. Nossas letras grandes e redondas, nossos corações crescendo e se convergindo. Sempre houve uma afinidade. Pique-esconde, amarelinha e pula corda. Corram todos. Eu sempre era o mais lerdo.
Depois a fase da depressão. Isso mesmo. A grande transição entre a infância e a adolescência. Mas que coisa terrível! Já ouvi várias vezes a insanidade de que adolescência é a melhor fase da vida. Discordo. A melhor fase da vida é a que vivemos. É o presente. É a melhor porque nós estamos a moldando. Com nossas escolhas damos o tom e as colorações, usando tinta que não se pode remover. Voltamos, tentamos apagar o que é inapagável. Mas de que vale apagar? De que valeria remover as tristezas? Se é nelas que crescemos. É nas crises que somos forjados, tenho certeza. E qual não será maior crise do que crescer?
Depois vieram as flores. Com alguns espinhos, de certo, mas de um esplendido amarelo. Um amarelo vivo e eficaz. O primeiro beijo. Os choros pelas paixonites de menina. As brincadeiras. As palhaçadas dos amigos, minha gargalhada fatal, laços que nunca serão quebrados, pessoas que nunca serão esquecidas. E é claro não poderíamos deixar de mencionar as incríveis obras teatrais. É. Isso mesmo. Esse agora que vos fala já foi escritor de peças. E a menina de que discorro aqui minha atriz preferida. A única capaz de interpretar papéis como de uma maluca caipira, Mari mar e uma testemunha ocular de um crime (que era doida também). Acho que tantos papéis bizarros e loucos se devem a capacidade criativa da minha menina. Ah, esqueci de mencionar. Já me apropriei dela. Acho que depois de passadas cerca de 316 palavras já posso chamá-la assim. Minha menina. Enfim, a minha menina teimosa demais, sonhadora de menos. Aprendi com você a colocar os pés no chão. E tento sempre, ainda que com pouco êxito, te ensinar a voar. A observar o céu azul, o vento no rosto e contemplar os raios do sol nascente da nossa trajetória.
Quanta teimosia hein! Quantas trapalhadas! A menina que conquista o motorista, o trocador e o despachante [interna]. As longas viagens. O colégio que mudou por completo o nosso caminho. Não gosto de exaltar instituições, mas seria um erro não mencionar o papel do Pedro II nas nossas vidas. Não como “autarquia do ministério da educação”, mas sim pelas pessoas. Cada professor, cada colega, cada aprendizado. Mais que matemática e português, aprender a subtrair os erros e que amar é um verbo intransitivo. Isso sim. Amar. Apenas amar.
Minhas palavras inexatas, esses rabiscos feitos com tinta e amor são acima de tudo um agradecimento. Obrigado por estar comigo. Obrigado por me apoiar. Obrigado por fazer parte da minha vida. Essa vida tão confusa, tão incerta. Nas nossas incertezas nos complementamos.
Acredito que nada que vivemos foi acaso. Tudo já estava planejado e hoje posso dizer que se voltasse atrás viveria tudo outra vez, porque estou certo que passamos juntos os piores e os melhores momentos. Minha amiga, minha irmã, pra sempre comigo. Você já é uma marca na minha vida e não sei se agüentaria uma abstinência prolongada de você.
Só me resta dizer uma coisa: Te amo! Não o amor dos apaixonados, não o amor das loucuras, também não aquele amor são. O único amor que você considera verdadeiro. O amor dos amigos. O amor dos cúmplices. Te amo, amiga!
Parece que a já é hora de desligar o telefone. Minha mãe me gritou e você tem que ajudar o Rafael com o dever de casa. Desejo que você não cresça, mas cada vez mais seja a menina. A minha menina. Beijos pra ela.

João Victor
Seu amigo n° 1!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Um dia ensolarado, o dia dos confrontos

Enfim criei coragem. Enfim posso escrever. Posso te dizer.
Aquele dia foi decisivo. Não apenas pra nós, mas pra toda a minha vida. É incrível como as coisas acontecem em momentos inesperados. Você foi minha surpresa. Minha singela e amarga surpresa. Me apeguei facilmente. Fui enlaçado pelo seu gosto. Seu gosto de confusão. Falta de sobriedade. Era disso que eu precisava. Ainda que voando alto demais, eu estava sóbrio. Tão sóbrio que acabava por me deixar ver o real. Que perigo, caros leitores. Não queiram ver a realidade, mas desejem ardentemente o compasso vacilante. A cor que não é cor. A letra que não diz nada.
Naquela tarde. Ensolarada. Com as folhas flutuando. Os velhinhos jogando damas. Você no meu colo. Eu então pude entender. Ver que eu mesmo poderia desconstruir minhas fraquezas. Não preciso de você, de certo. Eu preciso de mim mesmo. Precisava ouvir quem eu sou. Precisava ouvir que posso eu mesmo desatar os nós que me sufocam.
Não vou mais me cobrar tanta verdade, nem tanta lógica. Não quero mais minha sensatez, meu azco pela hipocrisia. Espero uma vida leve. Organização em meio aos papéis espalhados pelo quarto.
Desculpem, caros leitores, mas peço que desconsiderem agora o terrível erro cometido. Eu preciso sim de você, meu doce espinho. Mas eu quero você por completo. Estava sufocado demais. Preso demais. Agora já vislumbro o sol. Já posso respirar o ar puro. E ainda que deficientes, minhas pernas já podem me sustentar.
Mudei.
Em apenas uma tarde.
Um fim de semana.
E foi por sua causa.
Minha suave canção.
A dor que você me causa é prazerosa. Ela me fez quebrar o casulo. Aguçar meus olhos míopes.
Quando nos despedimos não entendi, mas agora compreendo que você foi forte. Você fez tudo o que devia fazer. Você fez minhas lágrimas saírem. Elas que estavam a tanto dissimuladas. Falsas lágrimas. Choro imaturo. Ali minha represa estancou.
Horas de choro. Horas de desespero. Noite fria.
Todas as lágrimas já desceram. Me preparo neste instante para poder te reencontrar. Não posso ir despreparado. Não depois de tudo.
Em mim restam agora marcas. Feridas cicatrizadas pelos sal do meu oceano.
Sei que a gente vai se ver de novo. Em breve. Me espere. Querido diário manipulador, não quero dar as cartas. Quero apenas não precisar de jogos com você. Eu coringa, você trunfo.
Antes de você estava completo, depois percebi meu vazio. Agora você me complementa. Soma. Multiplica minha força. Divide meu peso. AH, a matemática. Não gostaria de recorrer a ela, leitores, mas minhas emoções estão condicionadas a equações. Equações Irracionais.
Quero os números infinitos.
Quero as raízes complexas.
O cosseno dos sentidos.
Quero a tua confusão em mim.
Tudo que eu não precisava estava em você. Tudo que eu não queria era depender de você. Ainda bem que quase sempre me equivoco.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Querido Diário

Aquele beijo molhado
Seu soriso que desvenda
Desvenda meus segredos
Desvenda meu corpo
Descobre minhas fraquezas
Fazem minhas mãos suar
E soa seu brilho
Canta distante
Segue errante
De novo e de volta
E sempre e nunca
Será eterno
Maçã no rosto, maçãs nos lábios
Chuva no rosto, meus lábios nos seus

sábado, 15 de agosto de 2009

Sexa

Pra alegrar um pouquinho as postagens mais tristes e profundas e apimentar a vida um pouco mais de Veríssimo!

MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE: Ler muito Veríssimo pode causar graves crises de riso.

Sexa
Luís Fernando Veríssimo

- Pai...
- Hmmmm...?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
- E como é o feminino de sexo?
- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
- Não devia ser "a sexa"?
- Não.
- Por que não?
- Porque não! Desculpe. Porque não. "Sexo" é sempre masculino.
- O sexo da mulher é masculino?
- É não! O sexo da mulher é feminino.
- E como é o feminino?
- Sexo mesmo. Igual ao do homem.
- O sexo da mulher é igual ao do homem?
- É. Quer dizer... Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
- Certo.
- São duas coisas diferentes.
- Então como é o feminino de sexo?
- É igual ao masculino.
- Mas não são diferentes?
- Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
- Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
- A palavra é masculina.
- Não. "A palavra" é feminino. Se fosse masculina seria "o palavro"
- Chega! Vai brincar, vai.
O garoto sai e a mãe entra.
O pai comenta:
- Temos que ficar de olho nesse guri...
- Por quê?
- Ele só pensa em gramática.

sábado, 1 de agosto de 2009

A Porta

Minha casa não tem janela. Invés de tijolos, pedras. No lugar de luz, escuridão. Aqui o ar é rarefeito. É preciso respirar fundo para enfrentar as terríveis noites. Terríveis e intermináveis. Só se ouvem o estalo do pingo d’água na pedra gelada, gemidos, ecos, vozes sem dono.
Na minha casa só há uma porta. A porta de saída. As astes de aço refletidas pela chuva. Os vidros. Espelhos para o mundo. Seria aquilo mesmo real?
As cores. Amarelo. Vermelho. Cor púrpura que me paralisa. Quero um vermelho que não seja pecado. Q uero um vermelho velado. Vermelho que não seja sangue. São só imagens. Apenas sonhos. Só conheço um vermelho. Aquele que corre nas veias. De resto tudo é opaco.
Ainda que não seja verdade, quero atravessar o portal. Ver a mentira. Ver o oculto. Tocar o impalpável. Respirar a atmosfera dos pássaros. As pedras impendem minha loucura. Uma voz de acusação. Alguém mais aqui? Claro que não. É apenas meu medo querendo me podar. Detesto minha prudência.
O sol tímido reflete no vitral da minha salvação. É só abrir. Alguns passos. As mãos frias e molhadas pela ansiedade tocam a fechadura. Mais uma vez as pedras sussurram. Será um aviso? As pedras não falam, não seja fraco. A porta se abre sozinha (ou terão sido minhas mãos apressadas?) Meu corpo não me ouve.
Apenas escuto o riso das folhas. Elas me chamam. Dizem meu nome, posso escutar. Os pés vacilam, o vento me empurra. Adeus casa. Adeus pedras. Adeus cinza opaco.
O corpo sente o vento contra si. Já não se meche. Olhos abertos para os últimos segundos. Um pensamento de relance: “Terá valido a pena?!” Apenas um milésimo de susto.
Não quero morrer sem antes ver os pássaros. Sentir o aroma das frutas. O vento contra o rosto. O vermelho que é verdade. O vermelho das maçãs. Não quero morrer com cinza. Quero morte em vermelho. Sangue vivo molhado pela chuva. Reverenciado pelo Sol. Não vou morrer antes do primeiro suspiro. Pelo menos enquanto caio, vejo um chão que não é pedra. E que o homem ao pó da terra retorne.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Bolo, amigos e FESTA!

Semana passada, meu aniversário. É. Parabéns pra mim! rs'
Comemorei em dois dias. No dia mesmo, 23 de julho, a noite em casa com família toda reunida e talz, naquele esquema.
E como não podia ser diferente, seguindo a nova tendência dos "aniversários fora de época", comemorei no domingo. Essa coisa de "fora de época" realmente pega. É carnaval fora de época, liquidação fora de época, porque não aniversário?
A idéia surgiu do meu professor de física (é claro! já dá pra perceber que a pessoa não é normal) que resolveu comemorar seu aniversário em novembro (o dia do nascimento dessa "coisa" é em dezembro!!). Parece que era perto do Natal e tudo mais. Aí as festas dele nunca enchiam. Então ele resolveu por essa idéia em prática.
galerë já fez festa fora de época pra amiguinha Julia Nevares. hahaha'
Depois de uns 6 meses de ter completado 17 anos, a menina ganhou bolo, com direito a "parabéns pra você" e foto!
Dessa vez fui eu. Churras, amigos, e babaquices como sempre.
Até exploramos a "selva" atlântica aqui! hahaha'
Ah, sem contar na porta suicida.... Acompanhe a foto abaixo

Essa é a porta suicida daqui de casa. É uma porta no segundo andar que dá para a rua. Cuidado! Só deve abri-la se tiver absoluta certeza!!! kkk'
Enfim, dia bom! Comemore você também mais vezes o seu aniversário. Assim você ganha mais presentes, bolo e festa!! =)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Vida e vestibular: nem sempre concordo com o gabarito! =/

Eu, alguns outros amigos [desesperados!] vestibulandos e Tia Salma [adooro muito]

Pra relaxar nesses momentos de tensão de vestibular nada melhor que um pouco de Veríssimo!

MÚLTIPLAS ESCOLHAS (Luís Fernando Verríssimo)

1) Você faz o vestibular. Você:
a) passa.
b) não passa.

2) Você passa no vestibular. Você:
a) comemora com colegas que também passaram, abraça todo mundo, grita, quando vê está pulando no mesmo lugar abraçado a uma menina que você nunca viu e que se chama Maria Cristina.
b) comemora com seus familiares, faz todo o seu curso sonhado de Engenharia, custa a arranjar emprego, finalmente se associa a um primo e abre uma lavanderia, casa, tem filhos, netos, uma vida razoável e morre de uma falha do coração artificial em 2044.

3) Você não passa no vestibular. Você:
a) pensa em se matar, pensa em se dedicar ao crime, finalmente decide fazer um curso técnico, torna-se líder sindical, depois entra na política, acaba sendo o segundo torneiro mecânico eleito presidente na História do Brasil.
b) tenta de novo, e de novo, e de novo e acaba casando com uma viúva rica que é, inclusive, dona de uma universidade.

4) A Maria Cristina lhe dá seu telefone. Você:
a) não liga para ela, nunca mais a vê, e sai desta história incólume.
b) liga para ela, e vocês combinam se encontrar, apesar do seu pressentimento de que aquele sinalzinho que ela tem perto do canto da boca não pode dar em boa coisa.

5) Você e a Maria Cristina se encontram, na casa dela. Ela:
a) está sozinha em casa.
b) está com o pai, a mãe, um irmão/armário, duas tias grandes e um pit bull e nada acontece.

6) Ela está sozinha em casa. Vocês:
a) se amam loucamente e juram que nunca mais vão se separar.

7) Vocês se amam loucamente e juram que nunca mais vão se separar. Você:
a) a pede em casamento, e ela aceita.

8) Você a pede em casamento e ela aceita. Você:
a) chega em casa com a notícia, a sua família não concorda, diz que aquilo é uma loucura, que vocês são muito jovens, que precisam pensar, que onde se viu, que não contem com o dinheiro deles, que você vai jogar a sua vida fora por um sinalzinho perto do canto da boca, que blablablá, e você sai dizendo que vai fugir com ela e pronto e bate a porta.
b) chega em casa com a notícia, que causa um escândalo, e você se convence que seria loucura mesmo, que o melhor é namorarem, os dois terminarem a faculdade, e no fim, se o amor ainda existir, pensarem no que fazer, e sua história também termina aqui.

9) Você a pede em casamento, ela diz que é melhor dar um tempo, você concorda, mas semanas depois ela diz que está grávida. Você:
a) casa com ela.
b) foge para Curitiba.

10) Você a pede em casamento, ela aceita, seus pais não aceitam, os pais dela não aceitam, você foge com ela. Você:
a) é obrigado a desistir de estudar e acaba vendendo artesanato na calçada para sustentá-la, sentindo que jogou a sua vida fora e lamentando a comemoração do maldito vestibular.
b) e ela vão viver em Santa Catarina, amam-se loucamente, mas voltam duas semanas depois, a tempo de se inscrever em suas respectivas faculdades, e ficam bons amigos.

11) Ela diz que está grávida e vocês decidem se casar, com a bênção resignada das famílias. Você: a) usa a ajuda que recebeu do seu pai para comprar uma van a prestação, acaba com uma frota de vans, fica rico, aparece na Caras, tem filhos e netos e morre de uma falha do coração artificial em 2044.
b) descobre, horrorizado, no altar, que o sinalzinho perto do canto da boca era pintado e agora está perto do olho, e pensa em como seria bom se a gente pudesse voltar atrás e corrigir todas as escolhas erradas que fez na vida, mas como saber se a escolha era errada ou não, já que a vida não tem gabarito?

12) O padre pergunta se você aceita a Maria Cristina como sua esposa. Você:
a) diz "sim".
b) foge para Curitiba.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

sweet instant


Doce que doce
Estrelinha do mar
Vem me encontrar
Vem me ninar

Seus olhos brilham
Espelhos a sonhar
Vou com você
Riso, brilho, luar

Num quarto escuro
Triste a chorar
Doce que doce
Mais doce a sonhar

Nas almofadas
Do seu coração
Pulo e me aqueço
Ao toque das mãos

Vejo um clarão
Você vai entrar
Doce que doce
Vem me abraçar

Ela: minha inspiração")

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Loucura de sãos

Salvador Dali. Por An-Chin Cheng. 1997


Isso aqui não é poesia
Não é prosa
Não tem ambição de ser arte
Não é sobre o mundo
Sobre os problemas no senado
Nem sobre aquecimento global
ISSO é um desabafo

Quero falar
Falar não, gritar
Gritar bem alto
Quero que escutem
E calem
Não quero opiniões
Sugestões são proibidas
Nem que seja um simples conselho
Aqui impera a ditadura
Aqui impera o rei absoluto

Dessa vez é diferente
Não quero brincar
Nem ser sutil
Não quero explorar palavras
Não quero rima
Não quero métrica
Não quero forma
Eu quero gritar

Ouçam pobres miseráveis
Ouçam falsos moralistas
Escutai, ó realeza

Cansei de viver de migalhas
Não vou obedecer
Eu não sou padrão

Quero um remédio
Quero um veneno
Quero overdose de paz
Sem choro
Sem riso
Sem nada

Sem cara
Sem peito
Sem roupa
Sem resposta
Sem palavra

Calem-se!
Escutem!
Não quero murmúrios!
Não quero gemidos!
Não quero susurros!

Zi
Crato
Não quero ser entendido
Quero que me compreendam
Chamem um padre
Chamem um pai de santo
Um apóstolo, pastor, santo milagreiro
Quero um exorcismo

Exorcismo desse lixo
Dessa gente medíocre
Nem boa, nem má
Média

Vou vomitar em cima de vocês
Vomitar essa água morna
Esse mais ou menos
Vomitar essa comida barata

Calem-se!
Ainda não terminei

Só saiu daqui com meu corpo imaculado
Não quero mancha
Não quero doença

Voltem aqui!
Tranquem a sala!

A palavra é minha voz
Minha morte, minha vida
Ouçam
Um som
Tac
Tac
Tac Griz

Alguém bate
Alguém arranha
Não abram
Pode ser um estranho
Não quero mais ninguém aqui
Quero vocês
Escutem
Meu choro mudo
Minha lágrima órfã
Solitária
Quente
Úmida
Meu brado forte
Meus murros ao vento
Agora ordeno
Não peço
Me matem
Sem pena
Andem logo
Eu conheço vocês
Cada um
Estão loucos pra ver caído
Aqui no chão
Sangue escorrendo

Seus rostos
Caras de assombro
Não me iludem

Peguem uma faca!
Um punhal!
Calibre 38
R -15
Fuzil
Morte ao rei!
Morte ao poeta!

Quero uma morte brutal
Quero lhes dar esse prazer
Cortem minha cabeça
Meus pés
Minhas mãos
Só não calem minha voz

Quero gritar
Um grito mudo
Um grito surdo

Ó escutai
Escutai nobres assasinos
Escutai corja real
Escutai santo episcopado

Aqui jaz o rei
O santo
O nobre
O divino orixá
Péssimo filho
Falso amigo
Louco
João Victor

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Nascimento

Primeira Fisgada
Olhos molhados, vestido molhado
O momento chegou
Panos quentes, lençóis limpos
Papel branco, lápis, livros

A cada contração um espasmo no rosto
Uma lágrima nasce de seus olhos cansados
Alegria ou dor? Corpo pesado

O ventre já não lhe basta
Quer ver gente
Quer ser visto
Então sussurra por dentro:
“Deixe sair”
Cada vez que repete essas palavras
Como um mantra sagrado de dor
Um estalo sangrando de amor

Tudo se contrai e se espande
Um grito mudo
E à luz do mundo
Nasce canção
Nasce grande, forte e valente
Nos braços da progenitora
Chora ela
Chora ele
Sorri a vida
Um sorriso desenhado nos lábios
Toque suave feito lã
Poeta eis aí teu filho
Poesia eis aí tua mãe


João Victor
"Maternidade". José Sobral de Almada Negreiros. 1935. óleo sobre tela.

domingo, 5 de julho de 2009

Jardim Botânico


Flores e verde. Passarinhos e micos (que lindinhos hihi). Lá que eu passei toda a manhã.
Ao som de "Vem meu amor, as flores estão no caminho" cantada repetidas vezes na minha cabeça e pela minha bela voz... kkk'
Algumas fotos, alguns amigos.
Fotos estranhas, amigos perfeitos!
Lago, cenários lindos, palmeiras que pareciam tocar o céu e beijar as nuvens
Amigo Wikipedia, leia-se Daniel, me ensinou mais do que eu tinha aprendido durante todo o ano passado sobre angiospermas e tudo isso mais...
Pontos marcantes. Jardim japonês (ou será chines? whatever). Tranquilo, calmo e japonês.




Thayani. sublime companhia. Que me aguentou cantando durante mais de 2 horas.

Destaque para a foto abaixo:



Realiza a cena: Eu com uma cara de que comeu e não gostou com as mãos no que, segundo nossa fértil (ou se quiser, fétida) imaginação seria igual a mesa usada para matar o leão do filme Crônicas de Nárnia. É. Pode rir se quiser. Eu já ri o suficiente


Fui logo cedo pro cursinho e nem deu tempo de aproveitar os amigos. =(
Saí levando amigos na mente e momentos no bolso, deixando lembranças, caretas e pegadas marcadas por flores
Como não podia ser diferente termino com palavras do sábio guru Flausino: "as flores estão no caminho"

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Aversos e Reversos

Protesto em 1968 - Ditadura Militar no Brasil

Liberdade
Palavra tola, subjetiva, chavão das revoluções
Bordão dos vazios
Clarão de ilusões

Liberdade
Simula um sentimento solto
Que finge andar por aí sem rumo
Engana a gente sem sumo
Sem húmus

Palavra hipócrita
Livre de definições
Presa a condições

Brota da mente de sonhadores
Morre no coração dos ditadores
Frustra o olhar do poeta
Pinta na testa
Molha o coração
Entra pela fresta
Letra em canção
E mestra, brasa em emoção

João Victor

terça-feira, 23 de junho de 2009

O lobinho nunca mente




Curta fantástico! Reflexão sobre a vida em 9 minutos...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Devaneios

Estar perto
Tentar
Ouvir blues
Comendo chocolate
Passar as tardes
Brincar nas nuvens

Estar de bem
Amar a cem
Amar sem ter
Bem perto
Brincar no sol

Ser feliz sem barreiras
Jogar
Se jogar
E simplesmente
Banhados pelo azul
Ser sul, ser norte
Acender
Apagar

A noite é fria
A lua é grande e redonda
Em torno de nós
A cada onda de espuma
Apenas o calor
As labaredas que nos esquentam
E as alamedas verdes vão passando
Nos separando
Cada um sabe o caminho
Sabe o destino
Segue sozinho
Segue no frio

JOão Victor

domingo, 31 de maio de 2009

Amenidades


Hoje uma borboleta invadiu meu quarto
Estava escuro
Sem vento, nem barulho

Hoje uma borboleta entrou pela janela
Batendo as asas amarelas
Feito pintura em tela

Hoje uma borboleta pousou nas minhas cortinas
Aguçou minha imaginação
Beijando as flores do edredom

Um pedido eu fiz a ela
À borboleta da janela
Voa, voa sobre mim
Traga o néctar do alecrim
Da petúnia, do jasmim
Faz minha casa seu jardim

JOão Victor




"Poesiazinha" essa! Com um quê de infância. (risos=)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Is it really a new day?

video


Barack Obama. Nome do século. Que traz em si revolução e superação. É. Mas será que mudou? Todo o globo conta com isso, afinal quer mais contradição do que o presidente norte-americano ser negro e ter nome árabe? É até irônico. Mas essa mudança se basta a nomes, propaganda ou cor da pele?

Pelo que mostra a atua conjuntura parece mesmo que alguma coisa está mudando. O mundo está mudando. A crise econômica batendo a porta de todos nós e lá nos States já tomou conta, fez baderna e está tomando um cafezinho com os vizinhos norteamericanos. Obama, como era de se esperar, adotou a tal política de intervenções tornando grandes empresas multinacionais americanas em estatais. Quem diria, ein?! O berço do liberalismo econômico, formentadores do Tratado de Washington (Um acordo pra ferrar com a América Latina que propunha a privatização das estatais) agora até na GM estavam cogitando intervir.

Obama está mudando a lógica internacional mesmo. Quem diria que o presidente dos States estaria liderando um acordo entre França e Alemanha para estabelecimento de um novo Acordo Ambiental? Isso aconteceu tem poucas semanas. Logo eles, que se negaram a assinar o Tratado de Kioto. Que diziam que suas economias industriais seriam afetadas pelas normas do Tratado. Fala sério! Preferem sacrificar o próprio Planeta a perder alguns milhões. É claro. Os acionistas da Wall Street precisam, coitados. Como eles poderiam viver sem os jatinhos e suas mansões? Impossível.

E ainda tem mais. De acordo com uma pesquisa conduzida pela Universidade de Maryland juntamente com a empresa de pesquisas Zogby International realizada em 7 países a imagem daqueles "malditos infiéis dominadores da sociedade judaico-cristã ocidental" está bem melhor após Obama. De acordo com a pesquisa mais de 50% dos árabes tem uma visão "esperançosa" em relação aos rumos da política norte-americana. Quem não lembra daquelas "cerimônias" árabes em que as bandeiras dos EUA eram queimadas manchando a constelação norte-americana?

E o que ninguém esperava. O líder revolucionário e "comunista" (melhor termo seria "Fidel Castrista" rs) de Cuba afirmou "Do ponto de vista social e humano, (Obama é) o melhor candidato à Presidência". É isso mesmo que você está lendo. O próprio. O cara. O Fidel.
É. As coisas estão mudando. It's a new day. Esperamos que esse new day traga mudanças positivas e assim como os americanos lá do Norte os daqui do Sul também possam dizer: "Yes, we can" ou melhor "¡Sí, nosostros podemos!/Sim, nós podemos!"
Se interessar ver: http://listadeideias.blogspot.com/2008/01/primeiro-post-bem-vindos-ao-blog.html

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Memórias confusas de mim

Confusão. Hoje estou confuso. Tudo gira. Idéias perdidas, espaços vazios, memórias de alguém.
Medo. Medo do que vem. Medo do futuro. Medo de mim mesmo.
Chuva. Em mim chove. Cai tempestade. Vem tornado. Tormenta em alto mar. Lágrimas de chuva. Gotas de tristeza.
Tristeza. Profunda e escura. Não dá pra saber onde pisar.
Mostrar o que a gente sente nunca é fácil. Sentir o que a gente vê muda a alma.
Mudança. Não mais confusão. Sem medo. A chuva vai passar.
Eu cansei de me esconder de mim mesmo num quarto escuro da alma.
Hoje eu li que a gente deve deixar que chuva nos molhe pra que cresçamos ao raiar do sol.
Então, mais uma poesia pra me embriagar e esquecer do mundo.



Chuva
Tempestade
Confusão
Aqui no meio tormenta

Sozinho
Sombrio
Mãos invisíveis tentam me sufocar

E a raiva que me corrói
E paralisa meus pés
E o medo que desconstrói
Faz o meu corpo adoecer

A visão escurece
As pernas pesam
Os dedos paralisam
Quase não consigo ouvir

O gosto amargo do licor mais doce
O arrepio do barulho insistente
Azul, verde, lilás

Os sentidos se vão
A mente puída
Os espaços vazios

Coração para
E cansa
E não bate mais

Silêncio

Só resta saber
Sentir
Que vai Amanhecer
Dentro em mim.

JOão Victor

"E se quiser saber pra onde eu vou, pra onde tenha sol. É pra lá que eu vou."
video

quarta-feira, 20 de maio de 2009

No batuque do Quilombo

Bom, como prometido, vou narrar minhas aventuras no Quilombo São José. Ele fica no município de Valença, norte do Estado do Rio, próximo a Conservatória (a capital das serestas)
Depois de situar, vamos a parte divertida. Lá estava acontecendo uma Festa da Cultura Afrobrasileira em menção ao dia 13 de maio. Lembra? 13 de maio? Quando a tia da pré-escola ensinou... 13 de maio a Princesa Isabel assinou a lei áurea. E todo aquele lenga lenga da princesa boazinha. É. Boazinha essa Isabel não tinha é de nada. A libertação do escravos no Brasil foi resultado de pressões internacionais (que também não estavam nem aí pra questão humanitária, estavam é de olho nos LUCROS) e por outra causa por muitas vezes negligenciada por nossos professores de história: A luta dos negros. E nada mais emblemático pra exemplificar essa luta que o próprio Quilombo - comunidade formada por escravos fugidos que se escondiam em espaços isolados para fugir do trabalho forçado.
Então, vamos ao lugar. Casa de pau-a-pique, festa, alegria e multicoloridos. Essa seria a melhor descrição para o espaço. É preciso sentir todo o clima do lugar para compreende-lo. Ao fundo uma capela que mostrava o sincretismo religioso com a umbanda.


Durante o dia, festa e muita música. Saias coloridas, danças com boi. A noite ainda ao som do tambor muitas danças. Uma em especial muito interessante. Tinha uma boneca gigante, um boi e uns animais estranhos que ficavam dançando com uma música que contava uma história sobre esses personagens. No fim da dança, o público era convidado a participar pulando e dançando em roda em torno da boneca. Nessa hora estava lá autistando quando a Vic (autora das fotos) me puxou pra ir para o "meio." Demais. Muito divertido. Logo depois acontece o momento clímax da festa. Todos os quilombolas devidamente vestidos de branco se dirigiram a capela para o início deste momento muito especial: A Benção da Fogueira. O chefe do Quilombo, Seu Toninho, nos diz que aquele ano em particular a festa teria um quÊ de especial, porque o mais idoso do Quilombo tinha voltado recentemente de uma internação hospitalar e estava muito feliz com toda a animação da festa.

Sem mais discursos, parte-se para o prático. Todos os quilombolas saem como em procisão da capela, ao som de tambores e uma música que pedia a Deus que abençoasse a fogueira e todos que estavam ali.
Enfim, quando chegam ao pátio, a fogueira é acessa. Cena única, imperdível. A matriarca do Quilombo passa abençoando todos os que estavam em torno das labaredas de fogo e começa o Jongo.

O Jongo é uma dança nascida entre os negros de Valença que se espalhou por todo o Estado do Rio e Sul de Minas. É maravilhoso dançar o jongo. Fiquei babando. E o episódio que mais me emocionou entao aconteceu: ao som de uma música sobre a libertação dos negros o ancião do quilombo dança com uma menina de uns 7 anos. Olhos encheram d'água, pelos arrepiados.
Depois deles, agora os visitantes também tinha seu espaço. Começava a roda de jongo que só terminaria por volta das 3 da manhã. Ensaiando alguns passos e com a ajuda de duas professoras feras na dança, me atrevi a entrar na roda. Momentos de tensão!!! Muito nervosismo, mas foi mágico! Gostei muito!
Ainda tinha um outro ambiente com forró. Eu, animado do jeito que estava, até arrisquei uns passos no forró e com ajuda da amiga Vic até que não fiz muuito feio.


Galera, vale a pena descobrir essa cultura. Desvendá-la dentro de nós mesmos. Porque ela está dentro da gente, só precisamos ter mais sensibilidade aos batuques de nossa alma. Ficar atentos ao gingado do tambor mais presente em nós do que podemos imaginar.
Credito das Fotos: Victória Roque

Muito obrigado a amiga Victória por ceder as fotos para publicação no blog. Um Beijãaaaoozãoo pra você. Ela arrasou nas fotos, neah?!

Prometo mais fotos em breve..

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Africanidades

Jongo no Quilombo São José


Estrada de chão
É Pau-a-pique, é São José
Sou quilombola, sim senhor
Filho de preto o que é?

Batuque no escuro
Morena bunita vai tabear
Quero ver quem não vai se juntar
Quando o jongo começar

IoiÔ canta
Iaiá levanta
Levanta a saia
E entra na dança

Quem é branco vira preto
Quem é preto vai dançar
Celebrando a liberdade, realidade iludida
Marcada no passo, no sorriso, na batida, no olhar.

Jogar o charme
Sentir o som do tambor
Jogar o corpo e jongar
Calor

O dia tá clareando
A fogueira apagou
Fuligem voa no ar
Machado pra terminar

JOão Victor






Situando a poesia:
Passei o sábado e o domingo no Quilombo São José, numa festa que esbanjou alegria e efervescência de cultura
afrobrasileira
. Depois eu ainda vou postar mais sobre o Quilombo

quinta-feira, 14 de maio de 2009

"Tivemos os melhores sonhos..."


Essa era uma das frases escritas a grafite na parede da exposição OSGEMEOS - Vertigem de Gustavo e Otávio Pandolfo que está no CCBB Rio até o dia 17 de maio.






Realmente brilhante! Somente assim que podemos definir toda a evervecência de cores e sentimentos da exposição. A idéia central, pelo menos o que percebemos, foi uma tentativa dos artistas em mostrar as alegrias e tristezas da mente humana. As contradições e multifaces do "bicho-homem". E para essa empreitada esbanjaram criatividade. Uma casa-cabeça que nos remetia a confusão, tristeza, pânico e ao lado uma "cabeça" gigante onde de dentro pode-se ter uma surpresa fascinante. Não vou contar se não estraga!

O que nos chamou muito atenção ainda foi uma das obras que estava na segunda sala de exposições onde vários elementos, corpos, "idéias" giravam e se perdiam em meio a um redemoinho de cores fortes. Infelizmente não pudemos fotografar. As fotografias aqui publicadas são achados da internet.
Recomendo a visita! Vai lá e confere ao vivo!

Ainda depois de visitarmos algumas exposições, chegamos a Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Fascinante! Igreja dos tempos da vinda da Corte Portuguesa ao Brasil, com arquitetura em Rococó. Me impressionei com o conceito de sagrado que a Igreja traz. Toda a arquitetura dela nos diminiu e nos faz sentir que ainda pequenos estamos seguros na grandeza de Deus.
Apesar de não ser católico me emocionei com a Igreja do Carmo. Eu e minha amiga nos sentamos por alguns instates e rezamos. Não porque queríamos. Mas porque sentíamos que algo no ambiente nos convidava a rezar.


Igreja do Carmo - Rio

Por fim, terminamos o passeio curtindo o visual da Baía de Guanabara (ainda que poluída, tem um visual bem legal) no fim de tarde das Barcas indo a Niterói.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sandy nas paradas internacionais

Isso mesmo! Segundo o blog MPB Player, Sandy é a vocalista da décima-terceira música mais tocada no Canadá na parada dance.
Ela teria participado do projeto Crossover do Dj Julio Torres e do violonista Amando Lima (da Família Lima). Inicialmento o projeto contaria com o vocal do Rogério Flausino do Jota Quest, mas a jovem experiente cantora acabou participando com a composição Scandal que anda fazendo sucesso no exterior.
Após se separar musicalmente de seu irmão, Sandy tem estado fora dos flashs da imprensa. Inicialmente ela, fã de Elis Regina, declarava desejo em partir para um lado mais MPB. Então, podemos esperar grandes surpresas da cantora.


Confere aí a música:

terça-feira, 12 de maio de 2009

Rabiscos de mim


Vertigem - OsGêmeos ( no CCBB Rio até o dia 17 de maio. Recomendo)


Apaguei
Não mais rosas
Não mais traços

Rabiscos
E mistos
De grafites

Figura disforme
contorno insiste
cor resiste

Grafite
Grite
Risque
Rabisque

Restam linhas
Linhas tortas
Metamorfas
Palavras?

Arrisque....
Não pisque
Sou eu
Nada importa
Mas persiste
Nada existe

Acredite


João Victor 

domingo, 10 de maio de 2009

Dia das Mães - Prosposta vazia?

Mãe e filho - Pablo Picasso
Hoje, dias das mães: data criada para iludir filhos e mães, incentivando o consumo.

Tá bom...! Essa pode ser uma definição um pouco dura demais. Acredito até que a data possa ter sido criada com o objetivo de aumentar os lucros dos empresários, mas este é um momento que nos faz refletir. Refletir sobre como somos dependentes de nossas mães e como elas são importantes pra nós.
Desde quando ainda nem vimos o mundo ao nosso redor, já estamos ligados a ela. Ela nos alimenta, nos protege e nos ensina a viver.
Hoje de madrugada eu e uns amigos "peregrinamos" pelas ruas de nosso bairro fazendo serenatas para nossas mães. Além de ter sido

muito engraçado ver nossas mães acordando assustadas e descabeladas já querendo chamar a polícia. (Afinal, que vândalos estariam fazendo barulho àquela hora da noite? hihihi) Foi muito legal homenageá-las. Isso é que é importante. Não gastarmos fortunas com presentes, mas demonstrarmos a nossa gratidão e carinho por elas.
Para terminar este post deixo umas palavras de Carlos Drummond de Andrade (que hoje falei pra minha mãe):



"Mãe é sem limite
É tempo sem hora
É luz que não apaga"




E você? O que pensa sobre isso? Comente e dê sua opinião na enquete ao lado durante essa semana.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

13500 pessoas chamando pelo "Jude"

Essas são 13500 pessoas em Londres na Trafalgar Square cantando Hey Jude dos Beatles. Isso mesmo!!! 13500 pessoas cantando Hey Jude!
Esse evento foi organizado pela T-Mobile que usará as gravações do coral cantando "na, na, na, na, na... Hey Jude" para uma campanha publicitária.
É isso sim é que é publicidade!
Realmente emocionante ver um coral tão grande cantando esse clássico do Rock, essa peça rara da música dos Beatles.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Leis da Ciência Modernaa! XD

Retiradoo do blog Insoonia (http://www.insoonia.com/)>>>:


1- GUIA PRÁTICO DA CIÊNCIA MODERNA:

* 1. Se mexer, pertence à Biologia.
* 2. Se feder, pertence à Química.
* 3. Se não funciona, pertence à Física.
* 4. Se ninguém entende, é Matemática.
* 5. Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.
* 6. Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é INFORMÁTICA.

2- LEI DA PROCURA INDIRETA:
* 1. O modo mais rápido de se encontrar uma coisa é procurar outra.
* 2. Você sempre encontra aquilo que não está procurando.

3- LEI DA TELEFONIA:
* 1. Quando te ligam: se você tem caneta, não tem papel. Se tiver papel, não tem caneta. Se tiver ambos, ninguém liga.
* 2. Quando você liga para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados.
* Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.

4- LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA:
* Se estiver escrito ‘Tamanho Único’, é porque não serve em ninguém, muito menos em você…

5- LEI DA GRAVIDADE:
* Se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos estão perdendo, provavelmente você não está entendendo a gravidade da situação.

6- LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS:
* 80% da prova final será baseada na única aula a que você não compareceu, baseada no único livro que você não leu.

7- LEI DA QUEDA LIVRE:
* 1. Qualquer esforço para se agarrar um objeto em queda, provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente.
* 2. A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete.

8- LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS:
* A fila do lado sempre anda mais rápido.
* Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.

9- LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA:
* Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.

10- LEI DO ESPARADRAPO:
* Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.

11- LEI DA VIDA:
* 1. Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
* 2. Tudo que é bom na vida é ilegal, imoral, engorda ou engravida.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sensações...

Música do Beirut que traz uma sensação muito boa. Não só eu mas
todo mundo que escuta se apaixona. Ah... só vendo o clipe pra
entender.


Assiste aí:
video

sábado, 4 de abril de 2009

Bandeira Branca

Conto do Erico Veríssimo só que com um final meu.
Fiz pra um concurso em 2007. Apesar de nao ter ganho o concurso, o fim ficou muito bom
confere ai
:


Ele: tirolês. Ela: odalisca; Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro anos todos se entendem, de um jeito ou de outro. Em vez de dançarem, pularem e entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das mães e ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira, até serem arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro baile de Carnaval.
Encontraram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, agora apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram recomeçar o montinho, mas dessa vez as mães reagiram e os dois foram obrigados a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns tapas. Passaram o tempo todo de mãos dadas.
Só no terceiro Carnaval se falaram.
- Como é teu nome?
- Janice. E o teu?
- Píndaro.
- O quê?!
- Píndaro.
- Que nome!
Ele de legionário romano, ela de índia americana.
Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia no Carnaval, a tia é que era sócia.
- Ah.
Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete, e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou na face, disse - Até o Carnaval que vem - e saiu correndo.
No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram. Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal! Beijaram-se muito, quando as mães não estavam olhando. Até na boca. Na hora da despedida, ele pediu:
- Me dá alguma coisa.
- O quê?
- Qualquer coisa.
- O leque.
O leque da bailarina. Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.



***



No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo, antegozando o momento de encontrá-la outra vez no baile. E ela não apareceu. Marcelão, o mau elemento da sua turma, tinha levado gim para misturar com o guaraná. Ele bebeu demais. Teve que ser carregado para casa. Acordou na sua cama sem lençol, que estava sendo lavado. O que acontecera?
- Você vomitou a alma - disse a mãe.
Era exatamente como se sentia. Como alguém que vomitara a alma e nunca a teria de volta. Nunca. Nem o leque tinha mais o cheiro dela.

Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube - e lá estava ela! Quinze anos. Uma moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.
- Sei lá. Bávara tropical - disse ela, rindo.
Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.
- E aquela bailarina espanhola?
- Nem me fala. E o toureiro?
- Aposentado.
A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao grupo, alguém disse -Píndaro?! - e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu uma desculpa e afastou-se. Foi procurar o Marcelão. O Marcelão anunciara que levaria várias garrafas presas nas pernas, escondidas sob as calças da fantasia de sultão. O Marcelão tinha o que ele precisava para encher o buraco deixado pela alma. Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida, começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro. Passou todo o baile encostado numa coluna adornada, bebendo o guaraná clandestino do Marcelão, vendo ela passar abraçada com uma sucessão de primos e amigos de primos, principalmente um halterofilista, certamente burro, talvez até criminoso, que reduzira sua fantasia a um par de calças curtas de couro. Pensou em dizer alguma coisa, mas só o que lhe ocorreu dizer foi - pelo menos o meu tirolês era autêntico - e desistiu. Mas, quando a banda começou a tocar Bandeira Branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo - não vale, você cresceu mais do que eu - e encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando a cabeça no seu ombro.



agora começa a minha parte ( ou melhor "intromissão") no conto do Veríssimo



Ele: feliz. Ela: triste. Era Carnaval, mas não estavam no clube como das outras vezes. Ele estava andando apressado pela rua, atrasado para o chope com os amigos. Ela andava cabisbaixa e lentamente, sem a alegria dos outros carnavais, levando consigo mais malas do que seus braços poderiam suportar. A rua estava cheia de foliões.
- Ah, me desculpe – disse ele após ter esbarrado nela, deixando cair as malas que levava consigo.
Ele se abaixou para ajudá-la a pegar as malas caídas no chão, quando se deu conta de quem era a mulher.
- Eu te conheço de algum lugar...
- Acho que não – disse ela.
- Ah, conheço sim... Eu sou o Píndaro. Lembra?
Os dois riram por um instante de si mesmos. Não posso acreditar que a encontrei novamente, pensava ele. Ele esqueceu-se do chope e convidou-a para irem ao seu apartamento, que ficava ali perto, para conversarem.
Ela hesitou por alguns instantes, mas logo aceitou o convite.
- Realmente preciso descansar um pouco da viagem. E ainda preciso realizar a missão impossível de pegar um táxi nessa cidade em pleno carnaval.
Eles andaram um pouco e logo estavam no apartamento dele.
Ela disse-lhe que não havia mais ido ao clube no carnaval porque sua tia morrera e ela não tinha mais como ir, já que a tia é quem era sócia do clube. Contou-lhe como havia se casado sem sucesso e que agora estava focada em sua vida profissional. Na verdade ela estava mesmo era querendo justificar sua falta de sorte no amor. Estava se mudando para a cidade porque queria se especializar em sua carreira de bailarina.
- Eu sabia que você seria bailarina! Sempre dançou muito bem – disse ele.
Ele também não conseguiu chegar inteiro aos 30 anos, como já havia previsto. Passou por algumas namoradas, mas nada sério e não estava muito feliz com seu emprego de assistente administrativo. Seu chefe o “sugava”, como costumava dizer.
- Acabei de sair do meu trabalho.
- Mas você estava trabalhando no carnaval!?
- É. Tive que fazer umas horas extras pra cobrir o cheque especial.... E não vejo mais muita graça no carnaval como nos tempos de garoto.
- Mas como não vê mais graça no carnaval?
É por causa da sua ausência que não ligo mais para carnaval, pensava ele. Mas não teve coragem de dizer.
Depois de conversarem muito, ele foi até a estante e começou procurar por algo.
- Achei. – disse ele carregando nas mãos um disco antigo todo empoeirado.
Ele foi até o seu velho aparelho de som e pôs o disco a tocar.
- Lembra-se dessa música? – perguntou ele.
- Ah, aquela música que tocava ao final dos bailes.
- Vamos dançar mais uma vez. Eu nunca dancei com uma bailarina.
- Mas é claro.
Ela o puxou e foram sendo levados pelo som da Bandeira Branca e pela recordação dos tempos de baile. Não posso acreditar que estou novamente dançando com ela, pensava ele. Ele sentia os braços dela o enlaçando novamente como na última vez. Os seus olhos a penetravam fixamente. Chegaram mais perto um do outro. Os lábios dele vieram ao encontro dos dela. Eles se beijaram com tanta intensidade como nunca. Ele podia sentir seus pés flutuando serem levados pela bailarina.
- Agora eu tenho que ir – disse ela, se afastando dele.
Ela pegou suas malas rapidamente e correu em direção a porta, afinal no mundo dos 30 anos não é assim tão fácil se entender. Ele foi atrás dela. Não podia perdê-la novamente. Dessa vez não. O elevador nunca demorou tanto para subir assim, pensava ele.
Ela saiu tão apressada pela rua que nem percebeu o carro que vinha em sua direção. O seu corpo foi arremessado para longe, enquanto o carro corria ainda mais rapidamente para que ninguém o identificasse. Ele chegou a tempo de ver toda a tragédia.
Tudo estava acabado, pensava ele. Ela estava morta e ele também. Morto por dentro. Com um vazio ainda maior que o dominava. Ele foi até ela e a lavou com suas lágrimas, enquanto cantarolava Bandeira Branca para niná-la em seu sono eterno.